HISTÓRIA DA FORMAÇÃO DA CIDADE
- Das Sesmarias à Emancipação
Escrituras anteriores à fundação da cidade mostram que os
primeiros habitantes desta região foram os índios Guaianases. Estes índios
foram sendo empurrados para fora da região, à medida em que o homem
"branco" se instalava no interior. As terras, cobiçadas por
posseiros, tiveram a posse legalizada através de sesmarias. No território
atual do município estruturavam-se 3 áreas de sesmarias:
(a) Sesmaria do Pinhal, de 1781, demarcada em 1831 por Carlos José Botelho (o
Botelhão). Compreendia a atual parte sul da cidade;
(b) Sesmaria do Monjolinho, ocupada irregularmente no começo do século, foi
regularizada por carta de doação de 1810, concedida a Felippe de Campos
Bicudo. Atualmente, atingiria a parte norte da cidade;
(c) Sesmaria do Quilombo, também surgida de posse irregular, regularizada
somente em 1812 a pedido do posseiro, vigário de Piracicaba, Pe. Manuel Joaquim
do Amaral Gurgel. Englobava a atual região do Distrito de Santa Eudóxia.
Os lavradores assentados nestas terras eram políticos importantes,
tanto que o principal deles, o velho Botelhão, foi o primeiro presidente da
Câmara de Vereadores da vila de São Bento de Araraquara (atual Araraquara).
Havia, portanto, interesse em fazer surgir um núcleo urbano próximo às suas
fazendas.
Em 1851 uma área do patrimônio foi reservada pelo velho Botelhão
para a capela de São Carlos. Em fins de 1855, seu filho e sucessor, Antonio
Carlos de Arruda Botelho (futuramente, Conde do Pinhal) traçou o pátio da
futura capela e o eixo central da cidade, futura Avenida São Carlos.
Pelos dois anos consecutivos a Câmara de Araraquara passou a fazer
doações gratuitas de datas de terras para quem se comprometesse a se fixar
nesse novo núcleo urbano. A posse do terreno custava apenas o selo de 200
réis, obrigatório na carta de data.
A primeira capela começou a ser construída em 1856, com material
doado pelos condôminos das Sesmarias, e mão-de-obra escrava; em dezembro de
1857 a imagem de São Carlos Borromeu foi levada da Fazenda do Pinhal até a
capela, sendo rezada a primeira missa na povoação.
Em 1857 foi criado o Distrito de Paz e a Subdelegacia de São
Carlos do Pinhal. Em 1865 tornou-se vila, e em 1880 foi elevada à categoria de
cidade. A denominação da comarca, município e distrito de paz de São Carlos
do Pinhal foi mudada para a de São Carlos, pela lei no. 1158 de 20 de dezembro
de 1908.